terça-feira, 8 de novembro de 2016

domingo, 6 de novembro de 2016

Os abusos do capitão-mor Joaquim Félix de Lima




João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com

Joaquim Félix de Lima exerceu o cargo de capitão-mor desta Capitania do Rio Grande do Norte no período de 1760 até 1774, quando faleceu aos 60 anos de idade, pouco mais ou menos, sendo casado com Dona Caetana Joaquina.

No projeto Resgate encontramos uma representação de Manoel Fernandes contra o capitão-mor que transcrevemos para cá com as devidas correções, incluindo aí o nome completo dos personagens.

A Vossa Majestade se queixa Manoel Fernandes (do Nascimento), homem branco, e soldado condestável da Fortaleza desta Cidade do Rio Grande do Norte, de Joaquim Félix de Lima, capitão-mor e governador desta mesma, e Comarca da Paraíba do Norte, e as razões de sua queixa as expõem pelos itens seguintes:

1.            Que sendo casado em face da Igreja, e na forma do Sagrado Concílio Tridentino, e lei do Reino, Henrique Telles (de Menezes), soldado de Vossa Majestade, com Maria Manoela, cunhada dele queixoso, fazendo estes vida marital com paz e sossego: o dito capitão-mor se concubinou com a sobredita mantendo-a em sua casa de portas adentro fazendo vida como casados, afastando-a por este modo do seu marido, onde viveu alguns anos naquele concubinato.

2.            Que o dito capitão-mor não contente como referido, se afastou da dita cunhada, dele queixoso, Maria Manoela, e se concubinou com a mulher dele queixoso, Antônia Maria da Silva, irmã da dita sua cunhada, onde, com escândalo público, a tirou da companhia dele queixoso proibindo-lhe por este modo de vida marital, onde está com ela vivendo de portas adentro como casados, e está parindo dele dito capitão-mor.

3.            Que para melhor viver o dito capitão-mor naquele depravado vicio, se tem retirado daquela cidade, faltando ao governo dela para existir em um sitio nos Subúrbios da mesma, distante seis léguas, chamado (ilegível), onde está vivendo com dita sua mulher de portas adentro, e proibindo a ele queixoso para não sair fora daquele presídio, onde o tem sido preso várias vezes pelo referido e (ilegível) uma vez conversando com a dita sua mulher lhe dera aquele capitão-mor varias pancadas, e o levara preso bastante tempo, (ilegível) atormentado e sem baixa lhe quer dar, tendo-lhe pedido várias vezes, pela injúria com  que se vê ele queixoso, e no maior vexame com o serviço de Vossa Majestade pelas razões expendidas por ser ele queixoso uma das principais famílias daquele lugar.

4.            Que o dito capitão-mor se tem procedido e está procedendo semelhantes absurdos é com o respeito do bastão, e cargo que ocupa debaixo da proteção de Vossa Majestade Fidelíssima, e assim

Peço a Vossa Majestade seja servido mandar-lhe entregar a dita sua mulher que obrigada daquele vexame, e violência, se afastou dele dito queixoso, e quando Vossa Majestade Fidelíssima seja servido mandar conhecer do caso, que é notório e escandaloso por ministros sem suspeitas pelo atual do da Comarca da Paraíba ser seu especial amigo, dando-se lhe o castigo que Vossa Majestade fidelíssima parecer, onde pede ele queixoso justiça para exemplo de outros.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
Vejamos aqui algumas informações sobre esses personagens, que foi possível encontrar.
   De um assentamento de praça tiramos que :Henrique Teles de Menezes, homem casado, filho legítimo de Henrique Teles de Menezes, natural dos subúrbios desta cidade, e de idade que disse ser de vinte e dois anos, pouco mais ou menos, homem branco, de ordinária estatura, espigado de corpo, olhos pardos, e acastanhados, com falta de dentes, da parte de cima, assentou praça por despacho do capitão Joaquim Félix de Lima, em 22 de setembro de 1760.
    Em 3 de agosto de 1755, na Igreja de Santa Ana da Aldeia da Missão de Mipibu, onde o Frei Juvenal de Santo Albano estava em missão, Henrique Teles de Menezes, filho de Henrique Teles de Menezes, e Christina Pereira, ambos falecidos, casou com Maria Lopes de Jesus (a mesma Maria Manoela), filha de Antônio Lopes Pilouro, e Josefa Maria de Jesus, na presença de Luís Ferreira de Lima, e Antônio de Albuquerque e Melo Vasconcelos; em 1761, nascia e era batizada Ana, filha de Henrique e Maria Manoela, sendo os avós paternos Henrique Teles de Menezes e Christina Pereira, e maternos Antônio Lopes, natural de Lisboa, e Josefa Maria, foi padrinho o capitão de infantaria Pedro Tavares Romeiro.
   Aos 24 de junho de 1756, de licença do Reverendo Vigário o Doutor Manoel Correia Gomes, na Capela de Nossa Senhora do Mipibu, batizou e pôs os santos óleos o Reverendo Padre Antônio de Araújo e Souza, a Maria Madalena, filha de Henrique Teles e de sua mulher Maria Manoela, foram padrinhos Manoel da Silva Queiroz e Maria Madalena, filha de Antônio Lopes.
   Em 1757, faleceu Maria, escrava de Henrique Teles, que tinha sido batizada em casa de Manoel da Silva Queiroz, era filha de Ana, escrava do dito Henrique Teles.
   Vejamos o registro de casamento do queixoso: Manoel Fernandes do Nascimento, filho natural de Bernarda de Abreu Luna, exposto em casa da viúva Ângela da Costa, casou em 11 de maio de 1764, com Antônia Maria, filha de Antônio Lopes, falecido, e Josefa Maria, sendo testemunhas Antônio de Albuquerque e Melo Vasconcelos, solteiro e o sargento Cosme de Freitas Andrade.  Sogro de Manoel Fernandes do Nascimento e de Henrique Telles de Menezes,  de nome Antônio Lopes, era natural de Portugal.
   As irmãs citadas na queixa de Manoel Fernandes era filha do português Antônio Lopes. Um dos seus irmãos era Manoel Lopes da Costa., Segundo um assentamento de praça: Manoel Lopes da Costa, homem branco, casado, morador nesta cidade, filho legítimo de Antônio Lopes, solteiro, de idade de 25 anos, pouco mais ou menos, de estatura baixa, cor morena, cabelo preto, com uma cova na barba, e não muito abundante dela, olhos grandes, as sobrancelhas direitas e pretas, com todos os seus dentes de diante, assenta praça por sua vontade de soldado pago, nesta companhia. em 20 de outubro de 1763, por despacho do capitão-mor Joaquim Félix de LIma.

 Vejamos batismos de alguns filhos desse irmão das mulheres do capitão-mor: João, filho de Manoel Lopes da Costa, natural de Cajupiranga, e Maria Elena do Espírito Santo, neto de Antônio Lopes, de Portugal, e Josefa Maria de Jesus, neto materno de Custódio Soares, de Portugal, e Luísa Maria de Jesus, sendo padrinhos Francisco Lopes da Costa; Francisco, nasceu e foi batizado em 1774, sendo padrinhos José Fernandes Campos, casado, com procuração do seu irmão Manoel Fernandes Campos; Pedro, nasceu e foi batizado em 1770, sendo padrinhos o tenente-coronel Manoel de Oliveira Barros, casado, e Dona Maria do Corpo de Deus, mulher do sargento João Batista de Melo; Ana, nasceu e foi batizada em 1766, teve como padrinhos o licenciado (cirurgião) Francisco Paulo Moreira, casado, e Ângela Maria de Seabra.

   Em 1768, nasceram e foram batizados dois filhos gêmeos de Manoel Lopes da Costa e Maria Elena, de nomes José e Joaquim, sendo padrinho de José,  o capitão Manoel Pinto de Crasto, e de Joaquim, Albino Duarte de Oliveira, e madrinha dos dois Florência Bezerra, filha do tenente José Barbosa Gouveia.

Em 1790, Manoel Lopes da Costa Junior, filho de Manoel Lopes e Maria Elena, casou com Feliciana Maria da Apresentação, filha de Dionísio Lopes de Araújo e Ana Gomes da Costa, na presença de Felipe Barbosa Romeiro e  José da Costa Pereira.



domingo, 16 de outubro de 2016

A ocupação da zona salineira, 1708


Por João Felipe da Trindade
jfhipotenusa@gmail.com




Pascoal de Freitas de Castro e Domingos Madeira Diniz são pessoas que aparecem relacionadas e que merecem destaque nesta publicação.
Entres os filhos de Pascoal de Freitas e de sua mulher Joana de Almeida, encontramos os seguintes: Agostinho, batizado aos 11 de maio de 1689, teve como padrinhos Domingos Madeira Diniz e sua irmã Izabel Ferreira; Maria foi batizada em 7 de dezembro de 1791, em casa,  teve como padrinho o cabo de esquadra Francisco Simões; Luzia, foi batizada aos 28 de outubro de 1695, tendo como padrinhos Manoel da Costa; outra Maria, batizada aos 21 de novembro de 1697, e foram seus padrinhos João Pereira de Souza Catunda e Dona Catharina Leitão, esta mulher do capitão-mor Bernardo Vieira de Melo.
Esse  Domingos Madeira aparece como padrinho ao lado de uma filha de nome Joana Ferreira, em 1703.
Posteriormente, vou encontrar um Pascoal de Freitas, filho de Manoel de Freitas da Costa e de Custódia de Freitas, falecida, casando, aos 3 de agosto de 1755, na Capela de Nossa Senhora de Santa Ana, da Aldeia de Mipibu, no tempo em que estava de visita por aqui, o Frei Juvenal de Santo Albano, com Maelma Ribeiro, filha natural de Lourenço da Costa, falecido, e Francisca Marinho, na presença do Padre Frei Fidelis de Pastana, e das testemunhas Antônio Moraes Gandarela, solteiro, e Francisco Xavier Torres, casado. Esse Manoel de Freitas, viúvo de Custódia, casou em 15 de junho de 1748, com Lourença Camelo, que tinha ficado viúva de Antônio, do Gentio da Guiné, que era escravo de Domiciano da Gama, sendo ela, a nubente, escrava do capitão Manoel Alves Bastos.
 Pascoal de Freitas da Castro, em 1709, sendo mestre de capela, requereu e lhe foi concedida terras da testada da Ilha de Domingos Madeira, pela costa até a barra do Rio das Conchas, com todas as ilhas entre elas. Alegava, que morava nesta capitania com a mulher e filhos, servindo a Majestade, Dona Maria I, e que essas ditas terras não foram dadas a pessoa alguma e nem era povoada.
De outro documento, também extraído do Projeto Resgate, retiro um trecho: Diz o sargento-mor Gregório de Oliveira e Melo, morador nesta capitania, que ele suplicante tem e está servindo nela a Sua Majestade, Que Deus Guarde, há muitos anos, sem até o presente, 1729, nem por si, nem em vida do defunto seu pai, o capitão Manoel Gonçalves haverem pedido carta de terras nenhuma (ilégivel) e se tem pedido agora é por se achar a seu cargo com obrigações de sua mãe, e irmãos a quem alimentar e vestir, e por assim poder fazer, tem notícias se acha, na Costa das Salinas desta capitania, terras devolutas que compreende em si sítios de pescarias, como sejam Minhoto, Mangue Seco, Tubarâozinho, Tubarão, Cacimbas do Madeira, que suponho se em algum tempo fossem dadas, se acham devolutas, donde ele suplicante quer mandar pescar com suas redes, no que é de utilidade de Sua Majestade nas rendas dos seus dízimos, portanto, pede a Vossa Majestade seja servido com se dar-lhe em nome de Sua Majestade, Que Deus Guarde, por data para ele suplicante, e seus herdeiros ascendentes e descendentes, três léguas de terra de comprido, pegando no dito  Sítio Minhoto, correndo pela Costa abaixo até entestar com terras de Pascoal de Freitas de Castro, que pouco mais ou menos poderão ser as datas três léguas de comprido com uma de largura para o Sertão.
Da Fazenda Real a informação que os Sítios Tubarão e Mangue Seco tinham sido dados em 25 de novembro de 1708 a Belchior de Brito e José de Mendonça, e não constava no cartório se foram povoadas ou não, estando devolutas e desaproveitadas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Os Pegado Cortez e Gomes de Mello de Currais Novos.

Caro Luiz Gonzaga.
Me permita um pequeno espaço neste seu excelente blog para tecer alguns comentários acerca desta foto, já publicada aqui mesmo em certa ocasião. É bom que saibamos todos que não se trata exclusivamente de uma fotografia comum e envelhecida em face aos tantos tons de cinza e rasuras esculpidas pelo tempo, nem porque foi clicada há 76 anos em pleno 1937, e muito menos porque se trata de meu trisavô/bisavô, respectivamente.
Estes dois senhores, velhinhos, harmoniosamente juntos, me fez refletir sobre várias coisas, das quais principalmente um forte laço de amizade fraterna. Mas talvez a mais importante delas seja que intrinsícamente eles sintetizam bem a força de duas das mais tradicionais famílias seridoenses, as quais migraram para a Currais Novos do inicio do século XIX e assim ajudaram a construir a historia da recém criada vila e depois município.
As apresentações de ambos já foram feitas em algum post anterior, mas resumidamente temos na esquerda o Sr. Manoel Pegado Dantas Cortez – Neco Pegado (1866 – 1950), filho de Manoel Pegado Cortez e Maria Senhorinha Dantas Cortez. O da direita é o Sr. José Gomes de Melo Junior – Zezinho Gomes (1868 – 1947), filho de José Gomes de Melo e Úrsula de Macedo Gomes de Melo. Essencialmente, cada um deles, a seu modo, representam a primeira geração legitimamente currais-novense dos descendentes dos troncos Pegado Cortez e dos Gomes de Melo que aportaram na terra da schelita.
O pai de Neco migrou para Currais Novos em fins de empreender atividades agropecuárias. É originário de uma família que ostentou livre acesso às cortes portuguesas nos séculos XVI e XVII, ao que parece tendo chegado ao RN no inicio do século XVIII, instalando-se na zona da mata sul do estado, sobretudo entre os atuais municípios de Arêz/Goianinha/São José de Mipibu/Espirito Santo, onde desenvolveram atividades ligadas ao fabrico de açúcar, cachaça, gadaria em geral e principalmente politica. Sua mãe, D. Maria Senhorinha Dantas Cortez - Marica Pegado -, mulher forte e empreendedora, descende da linhagem de Caetano Dantas Correa, fundador de Acari/Carnaúba dos Dantas e de Manoel Vaz Varejão, português de extrema influencia na colonização da Vila do Príncipe (hoje Caicó) e um dos lideres da Guerra dos Bárbaros.
Zezinho Gomes é  filho de um homônimo, Capitão da Guarda Nacional, homem deveras respeitado no Seridó pela sua firmeza e em prol da correção e justiça. Sua mãe era filha do Coronel Antônio Ferreira de Macedo, chefe politico de Picuí-PB, que por seu turno é descendente de Francisco de Arruda Câmara, Capitão-Mor das Vilas de Piancó e Pombal, localizadas no sertão da Paraíba, até então estes os principais centros urbanos dos sertão setentrional.
Neco e Zezinho por certo eram amigos desde a infância. Os pais de ambos se consorciaram por volta de 1850 para juntos comprarem a data de terra denominada Pitombeiras, localizada a leste da sede do município de Currais Novos, na região onde hoje se aproximam com as divisas de Campo Redondo a leste e Cerro Corá a norte. Como os dois se conheceram e o porquê de decidirem dividir a compra de terras em conjunto permanece incógnito. Assim, o clã Pegado Cortez edificou sua sede e moradia no sitio São Luiz, ao passo que os descendentes dos Gomes de Melo o fizeram no sitio São Miguel. Ambos construíram suas fazendas por volta de 1860-1866.
O que se processou a partir deste ponto foi uma sequencia de casamentos entre os descendentes das duas famílias, terminando por fundir os Pegado Cortez com Gomes de Melo. O caso é longo e merece ser contado em próxima oportunidade. O próprio Zezinho casou-se com Maria Camila Pegado Cortez no dia 10/11/1890. Ela irmã de Neco. Talvez como demonstração da coletividade ou mesmo externando a extrema amizade entre as famílias ou mesmo querendo fazer uma festança de arromba, no dia seguinte (11/11/1890) Neco casou-se com Úrsula Augusto de Araújo, irmã de Zezinho. Assim, tornaram-se cunhados duplamente. E parece que levaram isso muito a sério, a ponto de quando Zezinho enviuvou de Maria Camila, em seguida casou-se com uma cunhada chamada Ana, irmã da esposa falecida e do amigo Neco.
À parte nestas estórias curiosas ou mesmo trágica, ambos também foram proprietários rurais: Neco herdou o que hoje conhecemos como sitio Bugi e Zezinho o sitio Liberdade, ambos extraídos do espolio das terras da outrora data Pitombeiras. Neco parece ter tido um gosto mais apurado pelo servidorismo publico, tendo exercido cargos como delegado escolar, titular da coletoria estadual e federal, adjunto da promotoria e sub-intendente municipal. Este ultimo um cargo notoriamente politico. Neste quesito, Zezinho parece ter se dedicado mais exclusivamente às atividades agropastoris. Paralelamente, foi famoso rezador e ao que parece dedicado ao carteado e talvez outros jogos de azar.
Outras tantas peculiaridades dispensadas aos dois foi a extensa prole, tendo Neco deixado 14 filhos e Zezinho 13. Netos e bisnetos eu não sei precisar, mas estimo algo próximo a 100 para cada um. Ambos foram muito longevos, tendo Neco vivido 84 anos e Zezinho por volta de 79 anos. Por fim ambos defenderam, sempre juntos e ao lado de seus filhos, a bandeira do integralismo. Inclusive esta foto mostra os dois parafernados com as vestimentas típicas da ocasião.
Assim, creio que estudando e analisando estes dois indivíduos, podemos inferir o comportamento das famílias Pegado Cortez/Gomes de Melo como um conjunto, migrantes de origem, longevas e prolíferas, harmoniosas em seu convívio social, trabalhadoras e, sobretudo amigas em sangue e suor, como o legado que suas proles desempenharam e assim o fazem até hoje no desenvolvimento do município de Currais Novos e vizinhança.
Rodrigo Cortez.
Neto de Maria Anísia Gomes Cortez - "Pepita".


O Capitão José Gomes de Mello Júnior em foto de 12 de julho de 1945, na casa de Manoel Genésio, seu 1º filho do 2º casamento. Os dois meninos da direita são os seus netos Omar Sidrin Gomes e Miguel Archangelo. À esquerda, as netas Margarida, Carmela e Ana Maria. Atrás, Maria José segurando Cecília. Elda, irmã de Omar, filhos de Antonio Cortês Gomes, está na frente de "Padrinho Zézinho".O nome completo dele era José Gomes de Mello Júnior. Àlbum de família.
Em 1910, ele recebeu uma foto do sobrinho Tomaz Salustino Gomes de Mello, com a seguinte dedicatória: "Ao meu bom tio Cap. José Gomes de Mello, com especial estima, offerece Salustino"

Faleceu Dalva Cortês.

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Foi sepultada às 8 horas de hoje, em Natal, Dalva Pegado Dantas Cortês ( à direita, sorrindo, em foto de dezembro de 2014), viúva, filha de Alfredo Pegado Dantas Cortês e Aura Dantas Cortês. Ela faleceu na noite de anteontem, 26, de causas não informadas, pois os filhos de Manoel Genésio Cortez Gomes, sobrinho de tio Alfredo, como era conhecido, não tiveram conhecimento até às 9 horas de hoje. Dalva era nossa madrinha. Breve, poderemos divulgar mais informações sobre a prima Dalva, que partiu para o oriente eterno.


  1. Alfredo Pegado Dantas Cortez (10/08/1888  09/07/1978), casado em 08/09/1923 com Aura Gomes Cortez (30/08/1906  13/08/1996)(sitio SãoLuiz, Currais Novos)
    1. José Novais
    2. Dalva
    3. Teresinha - falecida
    4. José Nabel nasceu a 06.12.1933 - faleceu 21.04.1998.
    5. Albaniz
    6. Napier
    7. Salete 
    8. José Napion (falecido)
    9. João
    10. M. de Lourdes
    11. Ivaneide
    12. Sonia Maria


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Da seca de 15 e outras poucas anotações

Por Fernando Antonio Bezerra*

Um amigo estimado, que vive do que planta e cria, me disse certa vez: “ainda bem que a seca foi em ano eleitoral... A gente se envolve com as eleições e a seca passa mais ligeira. Não aguentaria a travessia de 16.” As eleições municipais, na maioria das cidades, findaram no dia 2 de outubro e decorridos poucos dias o noticiário já se ocupa com o agouro de mais seca pela frente. Como o homem, mestre da tecnologia e da inovação, não conseguiu enfrentar o problema para o qual ele também contribuiu, novamente os joelhos precisam se dobrar diante da crença de cada um para que a força espiritual impulsione a recarga de reservatórios e mananciais.

O assunto, como todos sabem, não é novidade. Secas históricas e graves já ocorreram. Deveriam ter modelado melhores soluções. Evidentemente que muito já foi feito, mas a população aumentou bastante e novos hábitos de vida (e consumo) foram introduzidos na vida sertaneja... Faltou estruturar a oferta d´agua e nos educar para a convivência com o semiárido. Não faltaram avisos, infelizmente.

A angústia do tempo atual, dentre tantas reflexões, nos remete, não raro, a relatos de 1915, outra grave seca que abateu o Nordeste Brasileiro. Quem ali viveu foi o seridoense Artéfio Bezerra da Cunha (*1888  +1971) que deixou escrita uma obra relevante “Memórias de um Sertanejo”, verdadeira fonte de pesquisa para entendermos algumas cenas do Sertão de antigamente. Assim, sem maior demora, transcrevo a primeira impressão do professor, pecuarista e político Artéfio Bezerra sobre o ano que começava: “Entrou janeiro de 1915, chuvas finas, espaçadas, sem recursos, quando vieram os meses de inverno, nada, estiagem declarada, com as cores de uma seca mesmo. Pânico e o povo assombrado.”

Artéfio, sabendo que ainda tinha água no açude da Fazenda Carnaúbas, da família de Ambrosina, sua esposa, para lá levou o gado e o alimentou com “cardeiro, um punhado de caroço de algodão, rama de juazeiro e jucá. Como não tinha apurado que cobrisse as suas despesas, tentou abrir uma compra de peles e couros, única mercadoria abundante no momento, pela mortandade do gado magro que morria faminto pela falta absoluta de pastagem.” Teve o sustento também aliviado pela “criação, porque esta, principalmente a cabra, passava gorda com a folha que caía dos juazeiros, do jucá e demais retraços de folhas de outros vegetais”.

Para quem podia, na época, o cotidiano foi ditado por Artéfio: juntar a família, restringir tudo e tratar o gado, com o que era possível, para não deixá-lo cair. Para os mais pobres, lamentavelmente, abandono do rebanho, corte de raízes, retiradas e mortes. Dr. Francisco de Assis Medeiros, ex-Prefeito do Caicó de todos nós, advogado e escritor foi mais enfático em uma de nossas anotações sobre o assunto: “hoje em dia, são raríssimas as pessoas que sabem o terror que foi a seca de 1915, fome, doença e morte. Duas fontes documentais registram a catástrofe: 'O Quinze', romance (1930) que marca a estreia da escritora Raquel de Queiros, primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras (1977). Outra fonte riquíssima de informações é a Biblioteca Nacional por seu acervo de fotografias e jornais da época. Meu intento era publicar algumas fotos da época, referentes ao flagelo dominante, mas as imagens são tão chocantes, que resolvi poupar meus leitores de tanta tristeza.”

E, ainda, Dr. Francisco de Assis traz dados pluviométricos que ajudam a análise histórica do fenômeno da estiagem: “Note-se, ademais, que nos anos da década de 1910 o Seridó só teve quatro anos de bons invernos, com períodos de chuvas superiores a mil milímetros, 1912, 1913, 1914 e 1917. Três anos de seca: 1911, 1915 e 1919, com períodos chuvosos entre 180 e 360 (secas verdes) milímetros. Invernos fracos em 1918, 1916 e 1910, com respectivamente 756, 422 e 696 milímetros de precipitação de chuvas”.

Nos anos de 2012 a 2016 a seca chegou sem receber convite e por aqui se estabeleceu. Os grandes reservatórios ficaram despidos, sem água e sem vida. O sertanejo foi driblando um ano e depois o outro, pensando que no seguinte tudo seria resolvido. Ainda não foi, mas, creio que será. Mesmo reconhecendo que o homem mexeu tanto na natureza, além do razoável, a fé ensina que a misericórdia divina ouve a voz do sofrimento e pode determinar um inverno restaurador. Assim seja!

*Fernando Antonio Bezerra é potiguar do Seridó / com post na página Bar de Ferreirinha  

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A SAGA DOS PALATINIK EM NATAL.

O historiador Rostand Medeiros publica reportagem sobre os Judeus em Natal no blogue tokdehistoria.com , destacando a família Palatinik
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sábado, 4 de junho de 2016

SÁBADO, 4 DE JUNHO DE 2016

BLOG do MIRANDA GOMES
ESTIMADOS AMIGOS,

Uma das vantagens advindas com a criação do facebook e equivalentes é a possibilidade de troca de informações sobre pessoas e fatos importantes, permitindo a socialização da história, sem o egoísmo de alguns que detém, a sete chaves, a guarda de documentos marcantes para desvendar e registrar o nosso tempo.
Blogs e sites têm se ocupado a produzir esse intercâmbio, como também pesquisadores como Cláudio Galvão, João Felipe da Trindade, Toscano, Anderson Tavares de Lyra, Fred Rossiter Pinheiro e outros.
Tenho sido contemplado com maravilhas, como registro em seguida:

   
Fred Rossiter Pinheiro publicou no grupo Colégio Estadual do Atheneu Norte-Riograndense Friends.
   
Fred Rossiter Pinheiro
4 de junho às 07:08
https://www.facebook.com/institutotavaresdelyra/videos/1018936891526352/

A Revolução de 1930 em Natal/RN. Filme feito pelo macaibense João Alves de Melo (*1896 +1980). Trata...
OUTROS:

           Dr. Carlos Gomes, 

           A sorte é que o registro do 3º casamento de Tonheca Dantas está localizado em Natal, e nele tem a data de nascimento dele, informada por ele próprio no ato do seu casamento.

          ANTÔNIO PEDRO DANTAS “ TONHECA “ E 3ª ESPOSA FRANCISCA LIMA BEZERRA:
          Casados aos 31 de janeiro de 1940 em Natal – RN.
          Ele, nascido em 18 de junho de 1871 em Acari – RN, filho de João José Dantas, falecido em 1896, e de Vicência Maria da Conceição, falecida em 1902.
          Ela, natural de Santana do Matos – RN, nascida aos 02 de junho de 1892, filha de Manoel Lima Bezerra, falecida em 1898, e de Ângela Maria, falecida em 1930.
          E também tenho a data do casamento dos seus avós Jerônimo Xavier de Miranda e Aline de Albuquerque Maranhão: 28 de maio de 1910 na Capela do Bom Jesus, celebrante Cônego Estevão Dantas, e testemunhas Francisco Xavier de Miranda e Rodolfo Maranhão.
          Atenciosamente,
               Toscano.


          
Caros amigos
A vida amorosa de Tonheca Dantas, pelo que se vê no seu último casamento, não foi uma vida fácil. Acredito, também, que a dificuldade para achar seu batismo vem, como os muitos casos que já vi, do seu nascimento. As informações, que constam no seu casamento, tive dificuldade para comprovar, pois, o os livros de Acari, são desordenados. Faltam períodos relativos às informações ali contidas. Segue o batismo, que acredito ser o dele. Consta que era filho natural, na data do seu batismo. Não sei se houve casamento posterior dos seus pais.
Abraços 
João Felipe da Trindade 
Natal, Rio Grande do Norte

Proponho aqui fazermos uma corrente cultural para desvendar mistérios, tirar dúvidas e conhecer relíquias da nossa história. Por exemplo, gostaria de iniciar o garimpo de fotografias e filmes que pertenceram ao acervo do fotógrafo José Seabra. Segundo ouvi dizer, teriam sido adquiridos pela Fundação José Augusto. Certamente que se achados, teríamos a oportunidade de conhecer fatos e pessoas que marcaram a vida potiguar num determinado lapso de tempo, de grande valor  histórico. 
Poderemos, inclusive, identificar pessoas e lugares, como alguns casos que estou pesquisando junto aos mais vetustos. Um deles foi solicitado pelo pesquisador Fred Luna.
Prometo que todo o resultado dessa troca de informações eu divulgarei neste blog do MIRANDA GOMES e no do IHGRN.

A par disso, tem sido uma verdadeira riqueza a colaboração de amigos e leitores com a remessa de fotografias de rara beleza, que nos proporcionam contemplar a obra de DEUS e também dos homens, como a que aqui apresento, da colaboração de Herman Soares.
Considero fundamental que sejam feitos os registros das fontes.
VAMOS COMEÇAR?